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O BaVi da tristeza

Era pra ser da paz, mas não foi.

O clássico entre Bahia e Vitória do último domingo foi mais um episódio grotesco e lamentável do futebol brasileiro. Geralmente nós colocamos a mão à escrever para lamentar as brigas de torcida, seja nas arquibancadas ou nas ruas. Alguns estados já adotaram a torcida única para os seus maiores jogos, manchando a festa da rivalidade durante o espetáculo.

Mas o que aconteceu no Barradão foi mais estapafúrdio do que de costume – e em duas vertentes. O primeiro episódio foi a confusão após o gol de empate do tricolor, quando Vinícius resolveu fazer sua tradicional dancinha em frente à torcida adversária. Lance passível de cartão amarelo. Mas Fernando Miguel quis ele mesmo resolver a parada e incendiou as veias dos jogadores rubro negros. A partir daí, tudo que se viu dentro de campo foi o oposto do que propõe o esporte. Quando a violência ultrapassa o alambrado para dentro do campo choca mais. A responsabilidade que deveria vir de dentro para fora se converte em irresponsabilidade, mau exemplo e infantilidade.

(Foto divulgação / ATarde)

O segundo episódio foi o suposto pedido de Vágner Mancini, treinador do Vitória, para que um jogador que já tinha cartão amarelo provocasse a expulsão e, consequentemente, encerrasse o jogo por W.O. Ora, ele não sabia que isso lhe tiraria o empate – até então o jogo estava 1 a 1 – para lhe dar a derrota no tribunal? Apenas um dia depois o Bahia foi decretado vencedor da partida por 3 a 0. É regra simples do jogo. Além da vergonha que é ter de tirar o time de campo após uma briga vexatória, ainda ganhou uma derrota que até então não tinha. Não seria heroico segurar o empate contra o rival diante de sua torcida por mais vinte minutos?

As decisões tomadas naquele jogo, tanto de um lado quanto de outro, foram todas equivocadas. Desde a comemoração de Vinicius (e aqui não tem ninguém que repudia comemorações, mas que entende que o bom senso deveria prevalecer), passando pela confusão desenfreada e culminando numa estratégia covarde. Perde o BaVi, perde seus torcedores, perde o campeonato baiano e perde o futebol brasileiro.

Sérgio Henrique Botarelli